RESILIÊNCIA

Bullying um problema a ser enfrentado

"Bullying é crueldade deliberadamente voltada aos outros, com intenção de ganhar poder ao infligir sofrimento psicológico e ou físico. O bullying envolve atos, palavras ou comportamentos prejudiciais, intencionais e repetidos".

As escolas e as famílias precisam estar atentas a alguns comportamentos presentes no bullying como: humilhar, espalhar boatos nocivos, ofender, expor ao ridículo em público, acusar, isolar, dar socos, tapas, chutes, agredir físico e verbalmente. Fazer ofensa de ordem sexual, étnica e de gênero.

Os bullies dependem do medo, da impotência da pessoa para consumar com seu comportamento. São estimulados pelo desamparo e a raiva da pessoa que é vítima.

Os indivíduos que são alvos do bullying costumam sentir vulnerabilidade, medo ou vergonha em demasiado, sua auto - estima fica cada vez mais baixo o que favorece aumentar o processo de bullying.

O processo sistemático e continuo de bullying, leva as pessoas a se sentir vulneráveis, com medo e vergonha intenso, ficam deprimidas e sem forças para lutar, podem levar a idéias suicidas.

Outra conduta também esperada da pessoa que sofre bullying de modo seguido é reagir, ficar agressivo e se transformar em um outro bullying, reagindo e impedindo que o medo o faça tomar uma atitude. Pois os bullying dependem do medo, do silêncio, da impotência da pessoa de tomar uma atitude contra tamanha crueldade.

Os bullying escolhem aspectos nas pessoas para ridicularizá-lo como: ser muito gorda, magra demais, usar óculos, andar de cadeira de rodas, ter alguma deficiência ou síndrome, ter religião diferente da maioria, orientação e preferência sexual diferente, origem ética, discriminar a cor, a condição sócio-econômica, ser quieto independente ou simpático.

São sugeridos alguns aspectos a serem desenvolvidos para prevenir o bullying:

- intensificar o amor próprio;
- romper com propósitos negativos aos quais se achava vinculados;
- buscar apoio de outros, fortalecer seus sentimentos positivos, não pegar para si mesmo maus comportamentos de bullying;
- ficar atento às práticas estilos e táticas dos bullying como sinais de risco a serem evitados;
- desenvolver, aprender habilidade e estratégias para enfrentar o bullying e
- o humor a ironia são ferramentas importantes para enfrentar o problema.

Fortalecer e enfrentar as suas limitações, se você é magro demais ou gordo demais é um aspecto a ser enfrentado, mas veja suas qualidades: ser alegre, inteligente, amigo, responsável entre outros. Procure reconhecer os seus direitos humanos básicos:

- o direito de ser amado e estimado, ser ouvido e tratado com respeito e
- ter suas próprias opiniões e ponto de vista, mesmo sendo diferente da maioria.

O direito de ter apoios emocionais, de levar uma vida livre de ameaças físicas e emocionais, de ter uma vida livre de julgamentos e acusações.

Ter o direito de ser reconhecido e aceito os seus pensamentos e sentimentos com reais e pertencente a você e a mais ninguém.

Outro direito é para pedir e não ordenar que você execute tarefas.

Algumas estratégias para enfrentar o bullying:

1- Olhar bem nos olhos do agressor, não se intimidar, evitando o olhar, por medo ou intimidação;
2- Ter uma postura corporal firme, uma linguagem e gestos confiantes;
3- Resolver se irá enfrentar sozinho ou com o grupo família ou a escola;
4- Concentrar no comportamento que você quer eliminar;
5- Falar de forma simples e direta;
6- Evitar termos absolutos ataques ao caráter do bullying (termos como "você está errado" não adianta) e
7- Ser direto – falar, transmitir o recado direto à pessoa alvo.

A escola e as famílias precisam estar atentas para esse problema que aparentemente é simples, mas que é muito mais complexo do que se pode imaginar.

Nos estudos de Resiliência é enfatizada a importância de bons laços e vínculos de convivência.

"Educar para a convivência é um pilar para a Resiliência". Maria Marta Hall

"A resiliência é mais que resistir, é também aprender a viver". Boris Cyrulnik

"Resiliência é a capacidade humana de enfrentar, superar, fortalecer-se e inclusive transformar a partir dos efeitos adversos".
Edith Grotberg

Considerando o bullying uma conduta de risco para a criança e o jovem, Grotberg sugere incentivar a conduta resiliente frente ao problema:

Avaliar se o comportamento é perigoso, chamar a atenção da criança para o problema, oferecer ajuda em caso de problemas ou situação de risco, ser respeitoso ao sentimento da criança, decidir a regra que se aplica à situação, ensinar alternativas, permitir a criança expressar seus sentimentos, insistir na cooperação com a criança, incluir a criança na resolução do problema, aceitar desculpas, elogiar o esforço e o êxito, falar acerca dos sentimento do professor com relação ao comportamento inaceitável da criança, fixar um tempo de mudança

Outro aspecto a ser enfatizado é a Empatia: capacidade de se colocar no lugar do outro, imaginar o que o outro está sentindo.

Se a criança é capaz de avaliar, de perceber o sofrimento que seu comportamento causa da colega, pode-se trabalhar essa conduta. Como a criança se sente recebendo a ofensa que acaba de fazer a colega.

O bullying é um problema que necessita de ser enfrentado pela escola, e a família, cuidando da pessoa que sofre o bullying como também das que o promovem, o agressor e o agredido

Celiane Ferreira Secunho - Psicóloga

Fontes de consulta

- BULLYING estratégias de sobrevivência para crianças e adultos de Jane Middelton – Moz Mary Lee Zawadski, tradução Roberto Cataldo Costa
- La resiliência en el mundo de Hoy Edith Grotberg – 1999