Autismo e Aspeger

Saber ou não sobre a síndrome

Celiane Ferreira Secunho

Um questionamento que vem sendo freqüente entre os pais é falar ou não com o filho sobre a síndrome que ele é portador. Muito se discute em reuniões clínicas sobre a importância do diagnóstico como forma de nortear o tratamento, buscar escolas adequadas e atividades complementares importantes. Mas,sempre vem a polêmica de ”rotular o sujeito”: será essa a melhor conduta? A rotina da clínica vem mostrando que alguns jovem precisam de informações sobre a síndrome para entender melhor algumas de suas condutas tão pouco comuns que causam muita ansiedade.

Um adolescente pediu para a família que agendasse uma consulta com uma psicóloga para ele. O seu primeiro questionamento foi: “há algumas esquisitisses que faço que meus colegas me chamam de AUTISTA. Vamos conversar sobre esses comportamentos.”

Outro jovem não queria mais freqüentar as sessões de psicologia, não entendia porque só ele tinha atendimento psicológico e seus irmãos não. Em uma conversa familiar ficou combinado que seus pais e a psicóloga lhe falariam sobre as condutas e os aspectos da síndrome de Asperger. Foi muito importante e esclarecedor que o menino diminuiu a resistência ao atendimento psicológico. Em outro caso, uma jovem só conseguia se relacionar em situações muito extravagantes, onde chamava atenção da classe sendo alvo de chacota da turma por ter uma forma excêntrica de vestir, de se maquiar. Entretanto, ela dispunha de outros recursos para ser notada, pois era inteligente e bonita. Sua festa de aniversário era esperada pelos colegas por ser excêntrica e com muitas esquisitices. Na conversa com a família, os pais argumentaram que falar da síndrome era rotular a filha, então preferiram que fosse considerada esquisita e estranha.

Outra menina reclama que suas colegas lhe chamam de retardada por ela demorar a entender a piada ou não entender a idéia implícita do texto. Ela mesmo responde: “Não sou retardada, pois tenho ótimas notas na escola”. No livro OLHE NOS MEUS OLHOS do autor John Elder Robisonele enfatiza a importância do jovem saber o que se passa com ele, saber as dificuldades que são peculiares na Síndrome de Asperger.

Uma questão para ser pensada e decidida pelas famílias.