Autismo e Aspeger

O jogo da sedução

Celiane Ferreira Secunho

A Síndrome de Asperger traz dificuldades específicas nas interações sociais. Na entrada da adolescência fica evidente as limitações em interagir com os pares da faixa etária média e o manejo social no grupo.

A passagem do relacionamento com a família para o convívio com o grupo é feito de modo lento, as vezes bastante difícil.

A pouca habilidade de entender as idéias implícitas, o fato de entender as regras ao pé da letra, atrapalha em muito as regras do convívio social e o jogo da sedução, ficando mais evidente a dificuldade em interagir com o sexo oposto. Em especifico, no caso do "ficar" "namorar". A percepção pouco desenvolvida de entender mensagens não verbais, sorrisos, piscar olhos, posturas corporais atrapalha o entendimento de uma comunicação não verbal, acrescido ao fato da ausência de empatia nas relações em dupla.

A incapacidade de perceber o sentimento do outro dificulta uma relação de proximidade e muitas vezes favorece uma certa estranheza por parte da outra pessoa, causando um afastamento. O relato de um jovem com Síndrome de Asperger exemplifica: "tive uma semana melancólica, fui ao cinema com umas amigas, demonstrei que estava ‘a fim’ da menina, mas logo percebi ela beijando o colega. As vezes me falta o entendimento, o saber do que passa na cabeça do outro. Pensei que ela estava me dando bola... O erro foi meu, não percebi que ela estava a fim dele e não de mim, fui um Mané... Aquilo mexeu comigo, fiquei sentido, me senti mal segurando velas para o casal – um candelabro".

A inabilidade de entender o jogo da sedução, leva o jovem com Síndrome de Asperger a viver uma situação pouco confortável, o mesmo de constrangimento como o relato desse jovem.